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Histórico sobre a Capoeira Angola no Brasil
por José Carlos Gonçalves


Ao tentarmos compreender a origem dessa manifestação afro-brasileira, nos deparamos com algumas questões. Primeiramente é importante lembrar que, no Governo de Deodoro da Fonseca, Rui Barbosa, o então ministro da fazenda, ordenou a queima de todos os documentos referentes ao sistema colonial escravagista. Essa decisão foi adotada sob a alegação de que tais documentos seriam um retrato da vergonha nacional, representado pela escravidão. Em função dessa rarefação documental, não vemos alternativa que seja diferente da busca da contribuição de alguns estudiosos sobre o assunto.Alguns especialistas acreditam ser a capoeira de origem africana, mais precisamente da ilha de lubango, na aldeia dos MUCOPES, localizada no sul de angola.

A cultura dos povos Mucopes não difere dos outros povos africanos no que se refere à diversidade e beleza. Os Mucopes observaram que na época do acasalamento das zebras os machos, a fim de ganharem a atenção das fêmeas, travavam violento combate. Daí os jovens guerreiros mucopes, passaram a imitar alguns passos desse ritual ao que denominaram de N`GOLO. Os habitantes dessa aldeia realizavam uma vez por ano uma grande festa com o nome de EFUNDULA, ocasião em que as meninas que já tinham atingido a puberdade e, estando assim prontas para o casamento, teria como marido aquele guerreiro que tivesse a melhor performance na prática do N`GOLO.

Inclusive, além do coração da virgem, era este guerreiro agraciado com a isenção do pagamento de dote. Com o tráfego de escravos para o Brasil, muitos africanos escravizados conheciam a prática do N`GOLO. Com passar do tempo, eles observaram que os movimentos do N`GOLO poderiam ser utilizados como luta, especificamente contra o sistema escravagista.

Anteriormente ao tráfego de escravos a sociedade brasileira era formada unicamente por índios, os quais já tinham as suas técnicas de agricultura. Dentre várias cabe destacar a COIVARA e a KAPU`ERA. Os os negros escravizados, trazidos para substituir os índios na monocultura de cana de açúcar não dispensaram de todo o conhecimento indígena, aproveitando a técnica da KAPU`ERA, o que consistia em cortar o mato baixo para o posterior replantio diferentemente da COIVARA onde os arbustos eram queimados. A dificuldade imposta pelos senhores de engenho aos africanos contra a prática das suas manifestações culturais urgiu que os escravos buscassem um espaço escondidos para a prática do N`GOLO sendo eleito o espaço denominado KAPU`ERA. Daí o nome desta manifestação. Conforme estudos sobre o assunto, chegasse a conclusão de que para todos os lugares da América onde aconteceu a diáspora africana é possível encontrar alguma manifestação com suas raízes no N`GOLO. Nos dias de hoje existem rituais semelhantes ao N`GOLO na Martinica denominado de LADJA, em Cuba é conhecido como MANI.


 

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