| Zumbi e Palmares: Símbolos de resistência e liberdade
“O Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, é um protesto que denuncia a falsa abolição da escravatura em 13 de maio de 1888”, afirma Ivanir dos Santos, 47 anos, fundador e atual presidente do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), no Rio de Janeiro. Alguns historiadores, no entanto, discordam desta oposição. “As datas não se contrapõem. Ambas são importantes, com significados diferentes”, declara o professor de História do Brasil da UFRJ, Flávio Gomes, 37 anos. Quilombos, palenques e cumbes A trajetória do mais conhecido rei de Palmares confunde-se com a própria história da escravidão negra na América. Submetidos ao duro trabalho nos engenhos de açúcar ou em outras atividades, muitos escravos se rebelavam e fugiam de seu cativeiro. Longe dos maus tratos de seus senhores, eles formavam uma sociedade paralela, os quilombos ou mocambos, possivelmente inspirados na organização de sociedades africanas. “Há registros de comunidades de escravos fugidos em muitos outros países na América. Na Colômbia, por exemplo, formaram-se os palenques. Na Venezuela, os cumbes. Para entender o quilombo dos Palmares é preciso conhecer o tráfico de escravos via Oceano Atlântico”, diz o professor e pesquisador, Flávio Gomes. Autor de um trabalho ainda não publicado sobre Palmares, “Fontes para a História Social do Quilombo dos Palmares no Brasil - Séculos 16 a 18”, Flávio lamenta as poucas informações disponíveis sobre a comunidade. Praticamente tudo que se sabe foi colhido em documentos deixados pelas autoridades pernambucanas. Localizada na Serra da Bexiga, antiga capitania de Pernambuco, Palmares foi o maior e mais duradouro quilombo do Brasil. Seu provável início se deu em 1597, após a fuga de quarenta escravos de um engenho de Porto Calvo, sul da capitania. Distante das fazendas e da ira de seus senhores, eles fundaram o quilombo na Serra da Barriga, um local de terras férteis e água em abundância. Dali também se tinha uma visão privilegiada de toda a área próxima. Segundo historiadores, Palmares seria uma referência às palmeiras da região. De volta para casa Zumbi nasceu no quilombo dos Palmares, provavelmente em 1665, mas cresceu distante dele. Com poucos meses de vida, foi capturado por uma expedição militar e doado ao padre Antônio de Melo, do distrito de Porto Calvo. Batizado como Francisco, o menino aprendeu a ler e escrever na paróquia. Apesar de benesses incomuns aos negros daquela época, por volta de 1670, aos 15 anos, ele decidiu voltar, ao lado de escravos fugitivos, para sua terra natal. Em Palmares, Francisco assumiu o nome de Zumbi e destacou-se como chefe militar. A existência dos quilombos incomodava o sistema colonial português. Palmares mantinha-se em intenso contato com as comunidades vizinhas e, ainda que os quilombos não expressassem “necessariamente uma alternativa contra a sociedade escravista”, como afirma o historiador Manolo Florentino, os conflitos na região eram muito comuns. Além disso, os negros no cativeiro ouviam histórias de Palmares e alimentavam a esperança de fugir e juntar-se aos quilombolas. Em seu apogeu, o Quilombo dos Palmares abrigou mais de 20.000 habitantes, em uma área de quase 27.000 quilômetros quadrados. “Tudo indica que, por meio de autoridades coloniais ou mesmo de escravos, a história de Zumbi e do quilombo dos Palmares atravessou o Oceano Atlântico e chegou até os negros na África”, diz Flávio Gomes. [fonte:www.odia.com.br]
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